COMUNICAÇÃO – BASE FUNDAMENTAL PARA UM BOM SERVIÇO


Desde que o homem se entendeu como tal, ou seja, desde os primórdios da Humanidade, que sentiu, ele, a necessidade de interagir com o seu semelhante. Nas mais rudimentares formas de existências, verificou o ser humano a carência de um relacionamento interpessoal, para assegurar sua sobrevivência, desenvolvimento e até para a perpetuação da espécie. Esta necessidade, com a evolução dos tempos, foi denominada de comunicação, que inicialmente, era feita por sinais visuais ou sonoros e hieróglifos e que com o advento da escrita passou a ter forma de caracteres mais decifráveis. Assim sendo, nossos ancestrais nos legaram verdadeiras fontes de informações, que foram somando conhecimentos até os dias de hoje.
            Desta forma, desde aquele período empírico, até os dias atuais, a comunicação muito evoluiu, pois hoje, na vivência do século XXI, temos a oportunidade de manter várias pessoas ao mesmo tempo e à distância, conversando entre si, de modo a satisfazerem suas necessidades de expressão, no mais curto espaço de tempo.
            A tecnologia que envolve a Humanidade hoje é das mais requintadas possíveis e o homem como ser pensante, não se mostra satisfeito e busca a todo instante superar mais e mais as criações mais recentes. O mundo tem passado por muitas transformações em função das mudanças sociais, políticas, econômicas e tecnológicas. O computador, a internet e o celular, são inventos que vem em muito acelerar a perfeição da comunicação, mas são ferramentas que precisam de um componente importante, que é o ser humano, e por isto, se nós não buscarmos o contato direto com eles, guardarão para si a grande gama de informações que tem armazenado. Por ser assim, é que é preciso que o homem tenha sempre à mão a chave para todos os problemas da vida – a boa vontade.
            Nós que fazemos a irmandade de Alcoólicos Anônimos, não podemos nos excluir deste contexto em que o orbe clama por pessoas competentes na arte de se comunicar, transmitindo, além de conhecimento, naturalidade, segurança, credibilidade e, acima de tudo, transparência na relação. Devemos atentar para a necessidade de acompanhar a evolução dos tempos, sem olvidar as palavras de nosso cofundador, Dr. Bob, que quando se avizinhava de sua partida para o plano superior, solicitou a Bill W, que mantivesse tudo com muita simplicidade.
            Com todo este aparato tecnológico, em nível de grupo, não podemos prescindir do uso da comunicação verbal, que é, ainda, a mais simples e eficiente ferramenta para a conscientização daquele que, por força da premente precisão, nos procura.
            O uso da verbalização quando da transmissão de nossas experiências pessoais e do programa de A.A., em nossas abordagens pela vez primeira, no uso da cabeceira de mesa ou quando da coordenação de uma reunião, é um dos mais eficientes meios de comunicação, quando o conhecimento aliado a emoção, fazem ao visitante abordado ou ao neófito no programa, serem esclarecidos sobre a problemática do alcoolismo, formando o seu próprio pensamento a respeito de si, de sua vida. Mas para que esta tão esperada explosão venha a eclodir com o efeito desejado, é preciso que usemos outra forma de comunicação existente em nossa irmandade, que é a literatura, que quando estudada e empregada com acerto, poderá render um resultado extremamente positivo.
Se nessas ocasiões, somos sinceros e honestos, acreditando em nós mesmos, estaremos nos relacionando dentro dos princípios que regem a verdadeira comunicação, assegurando credibilidade às nossas palavras.
            Sabemos que a comunicação em Alcoólicos Anônimos é de uma importância muito grande, visto que o serviço em A.A. ( 3º Legado), é uma via de mão dupla, onde tudo deve partir do grupo e a ele voltar, mas para isto, é necessário responsabilidade em seus agentes, que como servidores de confiança, terão que dar andamento a este fluxo de informações, cuja interrupção poderá ser de um prejuízo exacerbado para a irmandade.
            Este nosso relacionamento que vai do Grupo e passa por todos os Órgãos de Serviços, indo até a Conferência de Serviços Gerais, de onde volta ao Grupo em forma de sugestões, não poderá ser interrompido, para que não venha a quebrar a cadeia de comunicação. Temos que lançar mãos de todos os meios disponibilizados pela tecnologia moderna, para fazer chegar ao grupo a informação correta, dentro do menor espaço de tempo possível, e, ai estaremos assegurando àqueles que estão por vir, o direito de encontrarem uma estrutura funcionando de forma exemplar e compatível com o nome de A.A.. Desta maneira, e com certeza, a mensagem será transmitida com acerto, para felicidade nossa e daqueles nossos possíveis servidores de confiança, que ainda estão lá fora.
            Temos que acreditar que somos capazes e que estamos inseridos naquele universo que o mundo contemporâneo exige, principalmente, no que tange à comunicação, para que seja o nosso produto – a sobriedade, levado além fronteira, traduzindo as nossas informações de foram correta a todos os segmentos da sociedade, e, assim, com os tentáculos de A.A., podermos alcançar em um grande amplexo a todos que, direta ou indiretamente, são atingidos pelo estigma do alcoolismo.
            Desta forma, concluímos que é a comunicação a base fundamental de um bom serviço em A.A., desde que tenhamos responsabilidade e disposição para o trabalho e usemos, acertadamente, os veículos disponíveis, quer seja – o jornal ou outra forma escrita, a televisão, o computador, a internet, o celular e até mesmo a voz, onde respaldado no conhecimento literário e em nossas experiências individuais, possamos levar a mensagem àquele que ainda sofre, sem saber que há uma solução.
            E para isto: Eu sou responsável.

DA INSATISFAÇÃO AO PRAZER


Ao olharmos, hoje, o Grupo Unificado, parcela significativa do A.A. cearense, volvemos o pensamento aos primórdios e vamos encontrar um  quadro de extrema dificuldade por que passavam os grupos da região oeste da cidade. Naquele período, existia uma grande insatisfação dos membros de A.A. com referência ao modo como eram tratados pelas pessoas não simpatizantes do nosso movimento, apesar da boa vontade de nossos senhorios, que infelizmente, não tinham total poder sobre aqueles que lhes representavam.
            Assim sendo, é que por diversas ocasiões, e que não foram poucas, tivemos problemas de demonstração de rejeição. Ora era no Grupo Nova Comunidade, que funcionava na Escola Vinícius de Morais, no Quintino Cunha, onde vivíamos o drama da incompreensão, sofrendo uma série de imposições e exigências, que iam contra os nossos princípios. Ora era no Grupo João Paulo II, que funcionava no Conselho Comunitário do Jardim Guanabara, na Rua Carlos Walravem, quando éramos tratados de maneira desrespeitosa – houve um período em que o acesso ao grupo ficou sendo feito pela Rua Carlos Gondim (fundos daquele estabelecimento) e quando alguém menos avisado ou esquecido, adentrava pelo portão principal, era informado que a entrada para reunião dos bêbados, era pela porta de trás. Em outras oportunidades tínhamos que cancelar as reuniões, por motivo de encontros sociais ali realizados. Ora era no Grupo Reformulação, que funcionava na Creche Pé no Chão, na Rua Pedro Sampaio onde éramos espezinhados pelo próprio vigia, que vez por outra, “perdia” a chave, até que um dia, já no final da permanência do grupo naquele local, iria acontecer uma reunião de esclarecimento sobre a Sétima Tradição e tivemos uma desagradável surpresa – a sala estava totalmente vazia. Não tinha uma cadeira sequer e o vigia não sabia em que local elas estavam, e, assim, fizemos a reunião todos sentados no chão, com uma ótima exposição do companheiro Walter, que serviu para alimentar, ainda mais, nosso desejo de autossuficiência.
            Tudo isto e mais algumas “coisinhas”, fizeram despertar em nós o desejo de emancipação e, então, formou-se uma comissão constituída pelos companheiros: Jataí, João Bosco e Jovanil, que passaram em torno de três meses indo aos referidos grupos, tentando conscientizar os companheiros da necessidade da união em torno da autossuficiência. Neste espaço de tempo, eram examinados prédios que atendessem aos nossos anseios – boas condições, boa localização e aluguel razoável, até que em Abril de 1993, houve consenso e foi alugado um imóvel no Conjunto Ômega II(Rua II Nº 232), para onde os Grupos se mudaram cada um mantendo o seu próprio nome. A Comissão de transição teve atividade definida por cerca de um ano. No começo foi difícil. Não tínhamos cadeiras, porém, foram adquiridas algumas usadas e sem padronização. O companheiro Lourenço, em sua própria oficina, fez vários bancos grandes e rústicos que nos serviram prontamente. A cadeira do coordenador era composta por peças de duas cadeiras de diferentes formatos. Tinha um aspecto muito feio, mas atendia as nossas necessidades. Com o passar dos dias, o Grupo adquiriu alguns bancos de ferro e madeira, do Centro Espírita André Luiz, a preço simbólico.
            No início, cada Grupo queria manter a sua identidade e autonomia, razão pela qual continuou com sua própria junta de serviços e todos com reuniões proporcionais por semana.
            Não tínhamos base financeira para fazer frente às despesas advindas da autossuficiência, por isto, foi criado um fundo de apoio denominado de GAF (Grupo de Apoio Financeiro), formado por voluntários que davam sustentáculos ao Grupo de forma simples e anônima, pois naquele sistema, não havia declinação de nomes e sim, número para cada contribuinte espontâneo, que somente ele e o tesoureiro sabiam, para fins de prestação de contas com lisura e clareza.
            Naquele endereço, os Grupos chegaram a uma conscientização de unidade e com o objetivo de simplificar os trabalhos e diminuir o número de servidores, aderiram a unificação em 20 de Março de 1994, quando passou a ser Grupo Unificado e a contar de Abril daquele ano, se mudava para o atual endereço – Rua Rosinha Sampaio, 2042 – Quintino Cunha.
            Neste novo endereço, o Grupo Unificado, passou por momentos difíceis, porém, outros de muitas alegrias, pois soube com mestria superar as dificuldades, transformando-se no que é hoje – um ícone do A.A. cearense, e, por este motivo o Grupo Tiradentes o saúda em sua data magna e agradece a todos que o guiaram no passado e aqueles que agora mantêm acesa a chama da força de vontade, da perseverança e do amor ao próximo.

CARATERÍSTICAS DE UM LIDER EM ALCOÓLICOS ANÔNIMOS


LIDERANÇA: Segundo Bill W.

            “ A.A. tem uma verdadeira liderança? A resposta é: Sim, embora não pareça.”
( A.A. Atinge a Maioridade – Página 110)
            Todo líder em A.A. é um padrinho em potencial. E acrescenta que esses se dividem em duas classes: o “velho mentor” e o “velho resmungão”. O velho resmungão é o membro que permanece convencido de que o grupo não pode caminhar sem ele, que constantemente ”mexe os pauzinhos”. No fundo é um poço de autopiedade. Já o velho mentor, percebe a sabedoria das decisões do Grupo. Não guarda ressentimento por ter perdido seu status e está sempre disposto a compartilhar suas experiências quando solicitado. Espera com paciência os acontecimentos do Grupo. Quase todos os membros já passaram por essas duas fases. O tempo os faz pender para um lado ou para o outro. A verdade é que muitos, após as dores do crescimento se tornam ESTADISTAS.
            Bill W. disse ainda que a verdadeira e duradoura liderança de A.A., está naquele que exercita a opinião serena, o conhecimento seguro e mantém o exemplo de humildade. São aqueles que não pressionam pelo mandato. Eles lideram pelo exemplo.

            Há um ditado que diz: Os grandes líderes não nascem prontos, eles são formados com o tempo. Isso nos dá a esperança de que depois de entender as doze características de um líder em Alcoólicos Anônimos, você possa trabalhar isso sozinho e construir o  perfil para a liderança.

            Destacamos algumas características do líder que saber influenciar as pessoas que estão ao seu redor e principalmente motivá-las no grupo para alcançar o nosso objetivo final que é levar a mensagem ao alcoólico que ainda sofre.
           
1.      Os líderes em A.A. estão sempre melhorando através do programa de recuperação. Eles entendem que as coisas estão em constantes mudanças e que tudo a sua volta está em movimento, inclusive, ele próprio  muda a cada dia, em movimento de crescimento e esta evolução trás mudanças positivas na forma dever o mundo.(Isto é RECUPERAÇÃO).

2.      Grandes líderes incentivam os companheiros a praticar o programa de recuperação para se tornarem melhores. As pessoas querem fazer o melhor por causa de sua liderança, pois, vêem que os resultados são positivos e inspiradores.
         (chamamos isto de ENTUSIASMO).

3.      Os líderes em A.A. se concentram na essência da segunda tradição, são apenas servidores de confiança – não tem poderes para governar, lideram pelo exemplo. Isso os leva a valorizar os pontos fortes das pessoas e não as suas fraquezas. Todo mudo tem algo de bom e bons líderes sabem como destacar isso em uma pessoa. (EXEMPLO).

4.      A qualidade mais preciosa que a sociedade de Alcoólicos Anônimos tem é a                                        unidade. As nossas vidas e as daqueles que estão por vir, dependem diretamente dela. Ou permanecemos unidos ou A.A. morre. Sem unidade, o coração de A.A deixaria de bater. Os lideres em A.A. precisam ter visão de futuro. Observando sempre os anseios da consciência coletiva. (VISÃO).

5.      Acreditamos que não existe no mundo outra irmandade que cuide de cda um dos seus membros com tanto carinho; certamente que não há nenhuma que guarde mais ciosamente o direito de cada indivíduo pensar, falar e agir livremente. Nenhum A.A. pode obrigar outro a fazer o que quer que seja. Tratar as pessoas com respeito e importância é uma técnica que trabalha para isso (EQUILÍBRIO).

6.      Grandes líderes são auto motivados. Eles entendem que haverá altos e baixos e muitas críticas, às vezes pesadas e de longa duração. Isso é um duro teste. Jamais podem deixar de ouvi-los atenciosamente. Eles permanecem com o pensamento positivo e não se deixam desanimar pelos problemas externos. (TOLERÃNCIA).

7.      Os líderes de A.A em todos os níveis devem ser tolerantes, responsáveis e flexíveis. Os princípios serão os mesmos, seja qual for o tamanho da responsabilidade. Pensam antes de falar e somente falam o necessário, pois, liderar é falar a coisa certa na hora certa. (HUMILDADE).

8.      Os líderes devem entender que um regente de uma orquestra não é necessariamente bom em finanças e previsões. Portanto, A.A. deveria selecionar essa liderança na base de obter o melhor talento que podemos encontrar. (HONESTIDADE).

9.      Os líderes em A.A. devem sacrificar o próprio ego para que os princípios estejam sempre acima das personalidades. Eles se preocupam com os outros em vez de focar as luzes para si. Passam despercebidos na equipe e sempre valorizam os resultados do grupo. (ANONIMATO).

10.  Grandes líderes são grandes mentores. Eles sabem como passar o conhecimento para seus companheiros, desenvolvendo-os e fazendo com que colham bons frutos, como ele colheu com o desenvolvimento da sua recuperação. (APADRINHAMENTO).

11.  Os líderes em A.A. gozam do privilégio de um tradicional direito de decisão de acordo com sua interpretação. Haverá sempre uma autoridade suprema suficiente para corrigir qualquer ineficiência, deficiência ou abuso. (SABEDORIA).

12.  Bons líderes em A.A. existem em todos os cantos da Irmandade. É só procurá-los. E deve ser escolhido cuidadosamente. Aos nossos líderes, sugerimos um programa que se baseia no princípio da confiança mútua. Confiamos em Deus, confiamos em A.A. e confiamos uns nos outros (CONFIANÇA).

            (Síntese da palestra do companheiro ALEXANDRE, Diretor Administrativo do ESL/CE, por ocasião do Encontro de Representantes de Serviços Gerais (RSGs) do Estado do Ceará, em 17 de outubro de 2010).

RECUPERAÇÃO, UNIDADE E SERVIÇO

INTRODUÇÃO
            O nosso tema de hoje, nada mais é do que as principais heranças dos setenta e cinco anos de Alcoólicos Anônimos, que são os Três Legados de A.A. Estes legados nós os encontraremos para fins didáticos no livro A.A. Atinge a Maioridade, baseado em três palestras de Bill W. quando do vigésimo aniversário da  irmandade. A primeira conta a história das pessoas e das correntes de influências que tornaram possível a recuperação em A.A., principalmente da vivência dos Doze Passos de A.A.. A segunda mostra a experiência de como foram recebidas as Doze Tradições de Alcoólicos Anônimos, que até hoje mantêm A.A. em unidade. E a terceira como A.A. desenvolveu os Serviços que levam sua mensagem aos mais longínquos lugares da terra, mas para isto era preciso uma coisa, a recuperação que é a base de tudo e pois isto é primeiro legado de A.A.
RECUPERAÇÃO
            Quando bebíamos, tínhamos uma vida irregular. Éramos desacreditados por nossas ações. Não saldávamos os nossos compromissos. Éramos agressivos, indolentes, insolentes, não tínhamos fé e nem amor próprio. Fazíamos de nossas vidas eterno sofrimento para nós e para todos aqueles que nos cercavam com o seu amor. Era um desespero só. Muitos de nós bebíamos para dormir e acordávamos para beber. Não víamos nada a nosso redor. Nada nos preocupava. Tudo estava bom, desde que tivéssemos a nossa saída – o álcool. Metíamo-nos nas mais variadas confusões e tentávamos dar solução aos problemas dos outros, mas os nossos, nós não os víamos. Muitos de nós atingimos os mais variados tipos de fundo de poço que eu chamo de sarjetas.
            Sarjeta física – quando não cuidávamos com acerto do maior patrimônio que Deus nos deu, a vida, que em nossa matéria frágil, era agredida por doenças que poderiam ser evitadas.
            Sarjeta moral – quantos de nós não mentimos? Trazendo desgastes para a nossa imagem; tivemos problemas, com a justiça, cartórios, SPC e SERASA.  Tivemos o descumprimento da palavra, envolvimento com agiotas, prisões, detenções, brigas, ou éramos escorraçados dos locais em que estávamos. Episódio da festa de aniversário e o caso do bar do Cardoso (66) da Floriano Peixoto.
            Sarjeta material financeira – desfazíamos de nosso patrimônio, vendendo ou trocando nossos bens por doses alcoólicas; ou deixávamos nossos salários, quando ainda os tínhamos, nos bares e comércios escusos e nos endividávamos sem responsabilidade.
            Sarjeta profissional – quantos de nós não perdemos o emprego, pela ausência de vontade de vencer.
            Sarjeta sentimental – quem de nós em algum momento da vida não se sentiu abandonado pelos seus entes queridos? Enquanto outros viam seus lares desfeitos? (fuga dos filhos).
            Sarjeta espiritual – muitos de nós já não tínhamos crença em nada.  Deus, era simplesmente um vocábulo, nada representava para alguns de nós, pois, queríamos nós mesmos desenvolver as atribuições divinas e nunca dava certo, é claro.
             De uma forma ou de outra, muitos de nós causávamos danos as nossas famílias. Maltratava-a com palavras e atitudes. Deixávamos que passassem privações, éramos sovinas. Quem de nós não escondeu dinheiro da família ou negava não tê-lo? Em outras ocasiões, simplesmente, não tínhamos mesmo, pois, o havia gasto até a exaustão. Quem de nós em algum momento não envergonhou a família com o nosso comportamento diferente dos outros? Situações estas que causaram traumas irreparáveis aos nossos filhos, esposas, pais e irmãos. Alguns de nós roubamos e até matamos na inconsciência do álcool. Éramos, portanto, um zero a esquerda. E Assim foi a nossa caminhada até chegarmos em A.A. e muitos de nós sem o desejo de querer parar de beber. Queríamos apenas encontrar uma fórmula de controlar a bebida. Mas éramos idealistas falidos.
            Mas quando se fala em recuperação, para muitos, basta para de beber e vir as reuniões e pronto. Tudo como em um passe de mágica está resolvido. Mas na realidade, ao aqui chegarmos, encontramos nossos padrinhos e companheiros ávidos para nos dar segurança, compreensão e amor. Mas eles nos disseram da necessidade de nossa vontade, pois iríamos fazer um programa de fé, de renúncia, de tolerância, de aceitação, de paciência, de humildade, de honestidade e acima de tudo de amor e tudo estava em nós. Era preciso que tivéssemos a chave da boa vontade e a mente bem aberta para termos uma nova modalidade de vida. Então nos disseram da necessidade de crescermos espiritualmente e para isto, nos apresentaram os Doze Passos de A.A., onde com certeza, encontraríamos a solução de todos os nossos problemas. Ali aprenderíamos a fazer uma reformulação de vida, modificando nossos pensamentos e conceitos. Ali sim começaríamos a nossa verdadeira recuperação.
            A nossa recuperação individual vai se solidificando na medida em que aprendemos a lidar com os problemas de ordem moral e espiritual:
            - Admitindo a nossa impotência perante o álcool e que tínhamos perdido o domínio de nossas vidas. O que significa a derrota total;
            - Acreditando em um Poder Superior a nós mesmos e entregamos a ele a nossa vontade e a nossa vida;
            - Fazendo um inventário moral de nós mesmos e admitindo perante Deus, perante nós mesmos e a outro ser humano a natureza de nossas falhas;
            - Nos prontificando a deixar que Deus remova esses defeitos de caráter e rogamos que Ele nos livre de nossas imperfeições;
            - Fazendo uma relação das pessoas a quem tínhamos prejudicado e fazendo reparações diretas, sempre que possível.
            - Reativando sempre o nosso inventário moral e admitindo nossos erros;
            - Meditando e orando para melhorar nosso contato consciente com Deus, e
                        Enfim, aprenderíamos a perdoar e a pedir perdão; a entendermos ao nosso próximo; a dividir responsabilidades e a buscar a todo custo a humildade, a paz e o amor ao próximo. Com a prática destes princípios criaremos a necessidade de levarmos esta mensagem a outros sofredores que no futuro serão os nossos líderes e conosco trabalharão a coisa mais preciosa para a sobrevivência do Grupo, que é a
UNIDADE
             Ela nos é estabelecida pela prática das Doze Tradições, que é a nossa cartilha de convivência entre nós e para com a sociedade. As Tradições são frutos de erros e acertos que redundaram em experiência. Nós sabemos que por sermos seres humanos, temos muitos defeitos individuais e consequentemente, que nossa Irmandade, enquanto sociedade, ainda tem muitas falhas que nos ameaçam continuamente.
             As Tradições nos ensinam a necessidade de deixarmos o orgulho e ressentimento de lado, para que o grupo floresça.
            Elas pedem pelo benefício do Grupo, bem como pelo benefício pessoal.
            Elas pedem para nunca usarmos o nome da irmandade na busca de poder pessoal, fama ou dinheiro.
             As Tradições garantem a igualdade de todos os membros e a independência de todos os grupos.
             Elas nos mostram como podemos funcionar melhor em harmonia como um todo e como nos relacionar, uns com os outros e com o mundo lá fora.
             Em consideração ao bem-estar de toda nossa irmandade, as Tradições pedem a cada indivíduo, cada grupo e cada setor de A.A. que ponham de lado todos os seus desejos, ambições e ações inconvenientes que possam causar sérias divisões entre nós ou a perda de confiança que nos deposita o mundo todo
            As Doze Tradições de Alcoólicos Anônimos simbolizam a caracterização de sacrifício de nossas vidas em comum e elas constituem a maior força de unidade que conhecemos.
            No que tange a unidade, a Tradição mais específica é a Primeira que nos diz: “Nosso bem-estar comum deve estar em primeiro lugar; a reabilitação individual depende da unidade de A.A.”.  É provável que nenhuma sociedade valorize tanto o bem-estar pessoal dos membros como faz A.A. e há muito tempo aprendemos que o bem-estar comum deve vir em primeiro lugar; sem isso haveria muito pouco bem-estar pessoal.
            No princípio nos sentimos mais ou menos como Eddie Rickenbacker e sua tripulação, quando o avião em que viajavam caiu no Pacífico. Eles foram salvos da morte, mas se viram flutuando num mar muito perigoso. Não havia dúvida em suas mentes de que o bem-estar comum vinha em primeiro lugar. Ninguém ousava balançar a balsa, a fim de que todos não fossem colocados em perigo. O pão e água eram repartidos igualmente; não havia glutões.
            O nosso caso era muito parecido com esse, mas alguns de nossos membros doentes e negligentes balançaram a balsa, e isso nos deixou em pânico.
            O principal temor era o de deslizes e recaídas. 
            Outro grande temor foi o dos romances fora do casamento.
            Mas com paciência e bondade, as situações foram pouco a pouco se modificando. Hoje, já não nos mete medo.
            Mas com outras sociedades, logo descobrimos que havia forças entre nós que poderiam nos ameaçar de uma maneira que o álcool e sexo não poderiam. Eram elas:
            - Desejos de poder   – Domínio    – Fama    – Dinheiro.
                        Essas forças eram mais perigosas, porque eram invariavelmente motivadas pela hipocrisia, autojustificação e poder destruidor da raiva, que geralmente se disfarça como indignação justificada.
            O orgulho, o medo e a raiva são os inimigos fundamentais de nosso bem-estar comum. O verdadeiro companheirismo, harmonia a amor, fortificados pelo conhecimento claro e práticas corretas, são as únicas respostas. E o propósito dos princípios tradicionais de A.A. é levar essas forças ao máximo e mantê-las aí. Somente então pode nosso bem-estar comum ser alcançado; somente então pode a unidade de A.A. tornar-se permanente. Sempre que eu falo em unidade, me lembro do Grupo Santa Rita de Cássia de Nioaque – MS (contar a história do Grupo): Alteração do nome; falar duas horas; limpeza coletiva; mensagens na aldeia indígena; reunião do comitê; visitas aos próprios membros.
            Como vimos ali naquele grupo Rita de Cássia, existia uma grande compreensão entre os companheiros e muito trabalho para que o grupo crescesse e a esse trabalho, nós chamamos de serviço.
SERVIÇO
Em A.A. quando falamos em serviço, logo salta a mente os encargos de junta de serviços de grupos, comitês, setores, áreas e daí para frente, que são os servidores escolhidos através do voto.
            Ocorre que o Décimo Segundo Passo de A.A., levar a mensagem, é o serviço básico que a nossa irmandade oferece. É o nosso principal objetivo e a razão primordial de nossa existência.
            A.A. é uma sociedade de recuperados em ação. Precisamos levar a mensagem de A.A.,caso contrário, nós mesmos podemos cair e aqueles a quem não chegou ainda a verdade podem morrer. Por isto, dizemos que em A.A., ação é a palavra mágica. A ação de levar a mensagem de A.A. é, portanto o coração de nosso terceiro legado – o Serviço.
            Mas o que é o serviço em A.A.?
            Um serviço em A.A. é qualquer coisa que realmente nos ajude a alcançar companheiros que estão sofrendo.
            A publicidade que permite ao provável membro entrar em contato conosco, o carro no qual o transportamos, a gasolina que gastamos, as xícaras de café que lhe pagamos – todas essas ajudas foram necessárias para fazer nossa visita possível e eficiente. E isso é só o começo. Nossos serviços envolvem locais de reuniões, cooperação com hospitais, escritórios de intergrupos, folhetos e livros. Os serviços podem precisar de comitês, delegados, custódios, conferências, encontros, seminários, simpósios, etc. Tudo isso incluem pequenas contribuições voluntárias em dinheiro para que o grupo, a área e A.A. como um todo possam funcionar. Os serviços abrangem, desde a xícara de café até a Sede de Serviços Gerais para a ação nacional e internacional. A soma de todos esses serviços é o Terceiro Legado de A.A.. Tais serviços são absolutamente necessários para a existência e crescimento de A.A.. Mas, companheiros já pensaram em simplificar todo esse trabalho, pois seria maravilhoso não se ter preocupações, nem políticas, nem despesas e nem responsabilidades! Quem iria abrir a sala, fazer o cafezinho, coordenar a reunião ou tomar conta do dinheiro? Mas isso é apenas um sonho acerca da simplicidade; isso, na verdade não seria simplicidade. Sem seus serviços essenciais, A.A. se converteria rapidamente numa anarquia disforme, confusa e irresponsável.
            Aqui não quero me prender aos serviços eletivos de grupo ou de outros setores, por entender que sabemos da necessidade desses serviços para a o bom funcionamento dos mesmos e que para isto, existe o Manual de Serviços que trata especificamente de cada encargo, mas quero trazer à baila a nossa responsabilidade quanto ao serviço, seja qual for. Se nós o assumirmos, deveremos ter consciência de que é através daquele simples serviço, que poderemos ajudar aqueles que nos procuram com os seus problemas. Portanto, varrer a sala, limpar as cadeiras, ligar um ventilador, fazer e servir o cafezinho, coordenar a reunião, representar o grupo, distribuir panfletos, e até contribuir com sacola dentre outros, são serviços igualmente importantes, pois visam à concretização do Décimo Segundo Passo, que é o maior de todos os serviços de A.A.

Convite

Dia 20 de março de 2011, às 18:00, o Grupo Unificado estará comemorando os seus 17 anos de formação. Sua formação aconteceu em 20 de março de 1994, com a fusão de três  grupos (João Paulo II, Nova Comunidade e Reformulação) e foi por meio dessa unificação e com o apoio de todos que naquele momento, através da consciência coletiva e com o apoio do Poder Superior, surgiu o Grupo Unificado.
E dessa forma convidamos os companheiros e companheiras para a nossa reunião de anivcersário que acontecerá na data acima citada. certos de contarmos com as vossas presenças agradecemos antecipadamente.

(Grupo Unificado-Rua Rosinha Sampaio,2042-Uintino Cunha-Fortaleza Ceará  - Reuniões diariamente: de Segunda a sabado as 19:30 e aos domingos as 18:00)